domingo, fevereiro 19

A ilusão é uma música em francês

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  Há algumas coisas na vida que só o tempo pode nos oferecer; uma delas e que, na minha opinião, é a mais importante, é a experiência que adquirimos com o decorrer dos anos. A experiência torna-se parte fundamental pelo simples fato de nos presentear com sentimentos: alguns que já tínhamos experimentado no passado e revivemos e outros inéditos para os nossos sentidos.
  Todas as sensações e sentimentos são válidos, mas quero dar ênfase em um deles que todo ser humano luta para não ter e, quando o tem, luta para não perde-lo. Estranho, não?
  O sentimento a que me refiro é a ilusão − sim, ‘ilusão’. Ela nada mais é que o engano da nossa mente e não pense que esse estado é apenas inconsciente. Às vezes, temos a certeza dos fatos e do que vai acontecer em nossas relações, mas, de propósito, nos apegamos à ilusão que criamos como uma forma de esperança vazia, para alimentar a nossa vaidade ou para mascarar o sofrimento que a realidade pode nos trazer.
  Quando percebemos a ilusão em nossas relações humanas e, mesmo assim, decidimos continuar, é a mesma coisa que querer adiar o inadiável, remediar o que não tem remédio e administrar o que não cabe à administração. A ilusão se transforma em um ópio, ajuda na hora do desespero, mas sozinha não leva a lugar algum.
  Para mostrar como a ilusão é confortável, pense comigo, vou personificá-la.
  Ela é uma mulher linda, com o sorriso mais largo e bonito que já viu, traz sensualidade nos olhos, lábios rosados e macios te mandando um beijo, cabelos longos que ela sempre ajeita atrás da orelha para não atrapalhar sua visão, mas você sabe que ela o faz também para te ajudar a admirar seu rosto melhor. Do mesmo jeito que sabe tudo isso, você também sabe que ela está distante, cada vez mais, sabe que dificilmente será a mesma coisa que já foi em tempos áureos, mas você não quer largar isso, por falta de coragem, por medo do vazio ou porque tem uma esperança nata de que a situação possa melhorar com o tempo apesar das dificuldades. Isso é a ilusão.
  A ilusão é o único sentimento que permite que você escute em seus sonhos uma das músicas mais sublimes feitas para a paixão e que dá asas à imaginação. Ne me quitte pas (eternizada em “Presença de Anita” aqui no Brasil). Você a escuta em terceira pessoa, a tiracolo, aquele francês perfeito, ela fala olhando em seus olhos. Je ferai un domaine, où l'amour sera roi, où l'amour sera loi, où tu seras roi, ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas. Como não querer isso? Acho humanamente impossível.
  Não julgo quem bebe da fonte da ilusão, está claro que ela é mais bonita, mais confortável e acolhedora, mas eu digo: uma hora ela vai ter que acabar, porque, no fundo, todos sabemos que ilusão implica imaturidade, medo de encarar a vida e a nossa vaidade dizendo que não temos que  perder o que ainda queremos e que, de certa forma, lutamos por aquilo do nosso jeito.
  Para finalizar, quero dizer que, se você quer a ilusão, boa sorte, realmente ela é mais afável. Mas é um caminho escuro com uma volta pior que a realidade. Já se você escolher a realidade, que é a escolha mais sensata a fazer, será mais cruel de início, fere na carne logo no começo, só que quando o machucado vem mais cedo, temos mais tempo para nos recuperar.  Independentemente do caminho que escolher, quero fazer um registro: sendo ilusão ou realidade, ninguém esta imune a ouvir, em uma madrugada enluarada qualquer, seja nos sonhos ou em um bar pelo mundo tomando um vinho de Bordeaux, seu desejo pedindo e cantando ‘Ne me quitte pas’.  

Imagem por Abyss - Alpha Coders                                                                                                                                   
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domingo, dezembro 11

Nós criamos nossos próprios fantasmas

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  A vida nada mais é do que uma busca e sempre buscamos aquilo que nos traz alegria, satisfação, paz de espírito e por aí vai. Fazemos isso para fazer valer a pena o tempo que estamos aqui e, quando chegar o final da vida e olharmos para trás, mesmo sabendo que nem tudo foi perfeito, queremos ter a sensação de dever cumprido.
  Atrás dessa busca, tomamos muitos caminhos e decisões; ao mesmo tempo em que isso é necessário para que possamos crescer, é também o lugar em que mora o perigo, e as consequências de uma escolha mal feita podem ser terríveis.
  Nossos fantasmas aparecem no momento em que fazemos uma escolha errada e os motivos por que erramos são muitos, como: buscar ter algo em um tempo errado ou quando nos vemos cegos pelo desejo de realizar que nem prestamos atenção na razão e nos fatos, ou ainda o instante no qual não escutamos nossa voz interior ou sequer seguimos nossos instintos.
  O resultado de tudo isso é a criação definitiva de nossos fantasmas. Esse fantasma a que eu me refiro é aquela oportunidade que você deixou passar, mas que, no ato dos acontecimentos, nem se deu conta dela. Aquela mulher que habita seus pensamentos, a mesma mulher que você buscou e pela qual gastou sua energia, sem ninguém pedir nada e não deu certo. As atitudes que você deixou de tomar no seu emprego e com isso não conseguiu galgar para um lugar melhor.
  Os fantasmas são isso, o peso que carregamos dos nossos erros e que sempre martelam em nossas mentes. Mas que fique clara uma coisa: os erros vêm dos ideais que nós buscamos e não dos erros que outros tentaram nos passar, pois não carregamos as falhas dos outros quando permitimos que eles entrem em nossas vidas. Não estou tirando a responsabilidade do erro que outras pessoas possam cometer e nem estou dizendo que o erro que elas cometeram com você não vai martelar na mente delas incansavelmente, pois vai, mas mesmo assim não carregamos os erros delas, e sim a nossa culpa por ter permitido com que aquela pessoa entrasse em nossa vida, seja por uma busca nossa ou por ter aceitado a busca dela.
  Fazemos as buscas, mas nem sempre dá certo, ás vezes buscamos em um tempo inadequado, de uma forma equivocada ou até mesmo colocamos os fins de uma procura nossa na decisão do outro, sem nos lembrarmos de que, antes de a outra pessoa tomar o veredito, algumas vezes quem foi até ela fomos nós mesmos e que se ela não corresponder a nossa busca, o certo é ir embora.
  Ir atrás de suas realizações é o resumo da vida, mas precisamos fazer isso com sensatez e clareza, para evitarmos ao máximo criar fantasmas. Pense no seu caminho, planeje-o com atenção, pergunte-se se é isso mesmo que você quer. Não estou dizendo para ser um covarde e restringir-se a qualquer problema que possa aparecer em sua escolha, mas eu quero dizer que, se você escolheu esse caminho e fez esses planos, mesmo com a consciência de que algumas pedras possam aparecer, você escolheu com a certeza de que era isso que você queria e que você vai dar o seu melhor. Lembre-se: mesmo se os fantasmas aparecerem, eles não são eternos e, se nós os criamos, o tempo vai se encarregar de desfazê-los. Evite-os ao máximo com suas ações, mas não tenha medo de encontrá-los. Acredite.

#FORÇACHAPE
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terça-feira, outubro 18

Eu dizia ainda é cedo

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  Vivemos em um mundo não feito por nós, mas sim pelo tempo, ele que nos comanda e nos diz cada passo que devemos dar, vivemos em um mundo feito por Horários , hora para trabalhar, estudar, dormir, trabalhando se ganha nosso famoso "dinheiro", estudando ganhamos conhecimento ,porem para poder ganhar esse conhecimento temos que pagar com dinheiro, para sobreviver temos que comer comida, para comprar precisa de dinheiro, para se locomover mais rápido precisamos de um transporte que também tem a necessidade de dinheiro.

  No fim percebemos que trabalhamos por nossa própria sobrevivência para no fim ganhar um papel que muitos dão valor "dinheiro" nas quais essas pessoas vivem em pura ganancia (Lembramos que não levamos nada material dessa vida conosco ) e esquecemos de dar o valor para uma coisa tão simples que não necessita de dinheiro nenhum , primeiramente a nós mesmo, a nossa família ,nossas amizades que sempre estão ali para nos apoiar mas as vezes é tão difícil de parar um Minuto sequer para ter uma conversa que mal as percebemos , que estão ali sempre conosco...
Cada dia deixamos o tempo mandar mais e mais em nossas vidas do que nós mesmos , vivendo sempre na "correria do dia a dia" pra chegar em "horários específicos" ,então agora eu lhe pergunto , será que é você mesmo que manda na sua vida ?ou apenas vivemos como maquinas em função de horários ?
Temos que nos lembrar que somos feito de carne e osso, que ao nosso redor são pessoas que tem sentimentos , somos humanos ,falhamos, não somos perfeitos, mas acalme se ainda dá tempo de sempre corrigir nossos erros.


Fotografia por : NataliaDrepina
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segunda-feira, setembro 5

Humanas sobre exatas

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  Desde o surgimento dos primeiros nômades até a civilização que conhecemos hoje, houve grandes revoluções e muitos avanços e, apesar de não parecer, todos têm algo em comum, um fio que corre de ponta a ponta interligando todos eles, que é a ciência.
  A ciência é dividida em três grandes áreas, sendo que duas delas é alvo de grandes discussões. A primeira são as ciências humanas, responsáveis por desvendar as complexidades da sociedade humana; a outra são as ciências exatas, que por sua vez avaliam expressões, predições e métodos para testar hipóteses e experimentos. No entanto, mesmo utilizando ferramentas muito distintas e uma não se assemelhando com a outra, vários conceitos podem ser trocados e aplicados de uma forma diferente em nossas vidas.
  Na química, por exemplo, existe um princípio que pode ajudar muito o nosso pensamento filosófico. Esse principio é o de Le Chatelier, cuja definição é a seguinte: “ Quando uma força externa atua em um sistema em equilíbrio, ele tende a anular o efeito externo”. Essa definição nada mais é do que a explicação de alguns fatos em nossas vidas.
  No momento em que temos uma rotina estabelecida e algo repentino aparece para nos afrontar, nossa primeira reação é a negação, como no princípio químico “anular o efeito externo”. Quando observamos ou nos é imposto a necessidade de fazer uma dieta ou exercícios físicos, também criar uma rotina de estudos, ler ou qualquer coisa de cuja dificuldade prática temos consciência,  nós negamos a princípio, para depois, quem sabe, tomarmos a coragem de fazer.
  Um grande erro do ser humano é ter medo do novo e não estar com a mente aberta para mudar. Esse medo é explicável, pois mexe com a nossa zona de conforto, mas, sem grandes atitudes, não conseguimos grandes conquistas. Lembrando que a zona de conforto é um lugar o qual sempre devemos quebrar para atingir o nosso crescimento pessoal.
  As exatas, com suas leis e princípios, nos mostram caminhos que devemos ou não traçar; é só ter a paciência para avaliá-los em nossa rotina. Não seja como “Le Chatelier” e mantenha-se disposto a mudanças.

  Neste caso, nós somos o sistema e, se a força externa for boa, não devemos tentar anulá-la, mas sim acolhê-la da melhor forma possível. Será desafiador, é verdade, mas garanto que seus benefícios irão valer a pena.  Pense nisso e lembre-se de tentar refletir sobre os conceitos da ciência e contrapor as exatas e as humanas. 

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domingo, junho 19

Como anda seu individualismo?

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   Era um dia como outro qualquer, eu estava no ponto de ônibus, sozinho, sabia que era questão de minutos para que começasse a encher o local. Pouco tempo depois que cheguei, uma moça muito simpática e sorridente olhou para mim e me desejou um bom dia. Fiquei intrigado com a cena, mas rapidamente desejei a ela o mesmo.
   Depois daquilo, fiquei pensando comigo quanto tempo fazia que eu não escutava um bom dia de uma pessoa totalmente estranha na rua e, com isso, me veio a questão de como estamos individualistas nos dias de hoje.
   O individualismo é algo tão humano como respirar e andar, chega a ser uma forma de defesa, mas, ao mesmo tempo, é também uma forma de mesquinhez e de falta de empatia. Não é preciso sair muito da cena que explicitei acima para ver o individualismo no decorrer do dia. Sempre quando entramos no ônibus, procuramos um lugar vazio para sentar e, depois de escolhido o confortável lugar, desejamos ao máximo que ninguém se sente ao nosso lado e, quando nosso plano não dá certo e o “inconveniente” acontece, uma sensação horrível logo nos toma conta, parece que nossa privacidade foi invadida, que não foi respeitado o nosso espaço e nos sentimos incomodados.
   Uma coisa a se lembrar é que não é só em fatos do dia a dia que nossa visão individual nos atinge; ela também chega ao campo das nossas ações para com o próximo.Quando olhamos uma pessoa precisando de ajuda ou pedindo alguma coisa e não paramos para ajudar ou sequer damos um minuto de nossa atenção para ouvir o que o outro tem a dizer, já é individualismo. Uma simples questão de educação e respeito ao próximo poderia fazer qualquer um tomar uma atitude mais inclusiva para com o igual.
   O individualismo mascara uma das coisas que mais deveríamos preservar no nosso dia a dia, que é o senso de que somos todos iguais, de modo que a empatia é o sentimento mais valioso que uma pessoa pode preservar como um de seus valores. Sair da zona de conforto sem pensar que se vai dar trabalho ou será inconveniente e estender a mão a alguém, desejar um bom dia ou uma boa noite a um desconhecido, colocar-se no lugar do outro e tentar imaginar a situação que ele possa estar passando, são atitudes louváveis.
   Precisamos parar por um momento em nossas vidas e rever algumas atitudes que nos permeiam. Eu sei que é fácil falar e muito mais difícil tomar a atitude devida, mas algo que precisamos rever é a nossa conduta perante esse individualismo.  Sempre que posso ou vejo que é necessário, reavalio meu individualismo. E você, leitor, como se encontra seu individualismo?
   Pense mais sobre isso e, assim, em um futuro em que as pessoas são mais reflexivas com seus valores e atitudes, o lado solidário de cada um terá a chance de aflorar e, por consequência, a humanidade agradecerá.

Imagem por Abyss - Alpha Coders

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domingo, abril 24

A diferença dos significados

Um comentário :


  Com o passar dos anos e com o modo de vida cada vez mais instantâneo que vivemos, deixamos passar despercebidas várias coisas que estão ao nosso redor e, às vezes, elas nem sequer têm a chance de entrar em nossas reflexões intimistas.
  Um caso desses, que deixamos de lado, são alguns significados por trás de palavras que usamos diariamente. Palavras que acreditamos ter o mesmo significado, mas são totalmente diferentes umas das outras. É sobre essa divergência que quero tratar, esclarecendo o significado de duas palavras: desejo e vontade.
  Apesar da maioria das pessoas acharem que desejo e vontade são a mesma coisa, eu digo que são diferentes, pois nascem de sentimentos que não conseguimos traduzir facilmente.
  O desejo vem de dentro de nós. Íntimo, ele nasce em nossa mente e influencia nosso corpo. Não temos controle sobre ele, o máximo que conseguimos é ter responsabilidade sobre nossos atos em busca do prazer. Não temos a escolha de acabar com o desejo que sentimos por algo ou alguém, por isso, lidar com ele, algumas vezes, é uma tarefa difícil e se torna mais árduo por uma simples particularidade: o desejo é um sentimento nato.
  Agora, diferente disso, vem à vontade: ela surge em nossa exterioridade, com as escolhas que fazemos no decorrer da vida. Por exemplo, tenho duas opções, uma blusa azul e outra vermelha; eu nunca vi nenhuma delas antes, nem ao menos imaginava uma cor, simplesmente apareceram às opções e eu vou escolher a cor que mais me agrada naquela situação, para aquela blusa. Essa foi uma circunstância que veio de fora e eu usei o poder da minha vontade para decidir o que fazer.
  Quero deixar claro: desejo é interno, planejamos e imaginamos como seria concretizá-lo, mas, às vezes, (infelizmente) nos deparamos com a possibilidade de não ser materializado. Já a vontade é externa, não tem como imaginar o que pode acontecer, aparecem opções à nossa frente e exercemos nossa vontade, sendo totalmente efetivada.
  Entre os dois, o que me cativa é o desejo, pois ele é o que realmente queremos, lutamos por ele e o buscamos, mesmo que, às vezes, pareça impossível. A vontade é inevitável, ela aparece e fazemos as escolhas meramente por simpatia ou pelo mais conveniente.
  Com isso, quero lançar aqui uma interrogação a você, querido leitor: o que de fato é um desejo em sua vida? Depois desta, quero formar outra: o que é apenas questão de vontade?

Só peço que não confunda os dois conceitos para refletir sobre a sua resposta e, assim como eu, busque se atentar aos significados que estão ao seu redor.


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